Cuiabá, 19 de Outubro de 2017

Biografia do Profº. Dr. Antônio Antunes Pinho Maciel Epaminondas

 

ISSO É HISTÓRIA - "E P A M I N O N D A S"

 

Antônio Antunes Pinho Maciel Epaminondas nasceu em Cuiabá-MT, em 21/10/1889 e faleceu na mesma cidade, em 26/07/1980. Era de Vicente Antunes Maciel Epaminondas e de Estefania de Pinho Azevedo Epaminondas. Fez seu curso primário na Escola D. Maria Luiza Galvão, em Cuiabá, e o curso secundário no Colégio São Gonçalo, cujo curso, na época era bacharelado, formou-se Bacharel em Ciências e Letras.

Seguiu, em 1913, para o Rio de Janeiro, com as economias havidas como telegrafista dos Correios, a fim de prestar concurso para a Marinha. Chegou ao Rio de Janeiro após demorada viagem por Corumbá (hoje Mato Grosso do Sul), Assunção, Buenos Aires, Rio Grande do Sul e Santos, já encontrando as inscrições para a Marinha encerradas e sem recursos para esperar um ano para novo concurso. Matriculou-se então na Escola de Medicina do Rio de Janeiro (depois denominada Universidade do Brasil), onde defendeu tese de doutorado.

Como obstetra que era sua tese versou sobre o importante tema “Síndrome Tereo-Ovarianas”, isto é, as influencias das glândulas tireoide sobre os ovários. Em medicina, a tireoide é uma glândula capital que “rege” todas as demais glândulas de secreção do organismo. Daí a importância da tese defendida pelo doutorado, que foi aprovada com DISTINÇÃO, na grafia da época. Vale ressaltar que, na sua formação acadêmica, foi assistente dos Professores Miguel Couto e Antônio Austregésilo (renomados clínicos do século passado no RJ) e na Gineco-Obstetrícia toda a sua formação foi com o Professor Queiroz de Barros, também do Rio de Janeiro.

Voltando para Cuiabá, em 1914, começou a trabalhar na “velha” Santa Casa, tendo contraído núpcias com D. Maria Leopoldina de Oliveira, com quem teve dois filhos: Paulo Leopoldo Maciel Epaminondas, também médico falecido em 1987, e Maria Helena, Contadora da 1º Turma da Escola de Comércio de Cuiabá que, faleceu em 2002.

Em 1922, ficou viúvo e casou-se em segunda núpcias em janeiro de 1934, com D. Maria Aida Moreira de Figueiredo, neta do Cel. Moreira – Antônio Emanuel Moreira, e filha de Benedito Leite de Figueiredo, o “seu Dito da barca”, imortalizado no livro de Floriano de Lemos, “O Barqueiro de Cuiabá”.

Com a segunda esposa teve três filhos: Carlos Eduardo, Médico, Luiz Eduardo, Engenheiro Agrônomo e Regina Helena, que hoje mora em Brasília-DF.

O doutor Epaminondas como era chamado em Cuiabá, sempre assinava “Dr. A. Epaminondas”, o que era motivo de perguntas sobre “A”, de Antônio.

Antônio Epaminondas, o “Tatonho”, como era chamado em família, sempre trabalhou como Médico Clínico Obstetra e nunca teve nenhum emprego de Médico, mas sempre foi Professor de Higiene e História Natural, seja na Escola Normal “Pedro Celestino”, seja no Liceu Cuiabano e, ainda na Escola Técnica de Comércio, no prédio Palácio da Instrução, que também foi Diretor por uns tempos.

Exerceu medicina desde sua chegada a Cuiabá, até inicio de 1970, quando fez seu ultimo parto, já na maternidade de Cuiabá, hoje Hospital Geral Universitário, onde foi plantonista desde inicio das atividades até a chegada do seu segundo filho Médico, Dr Carlos Eduardo Epaminondas, em 1960, quando então lhe passou o plantão.

Diga-se de passagem, que a maternidade começou a funcionar em tempos modernos para a época com o Médico plantonista durante todo o mês alcançável, a chamado de enfermeira chefeda maternidade. Foi também Diretor Clínico da Santa Casa de Misericórdia, na gestão do Presidente José Monteiro de Figueiredo que, com seu colega de turma, Clóvis Pitalunga de Moura, aqui chegado em 1940, revolucionaram e modernizaram a medicina cuiabana.

Vale também lembrar que o Dr. Epaminondas fez parte do grupo de médicos cuiabanos que atendiam a clinica e a visita diária á Santa Casa á cavalo, como fazia o Dr. Silvio Curvo, Dr. Atahide de Lima Bastos e, mais tarde passaram as motocicletas (Dr. Clovis, Dr. Virgilio e Dr. Luiz Alves) sendo que o velho Epaminondas passou direto do cavalo (chamado “Moleque”) para o automóvel, sendo o seu primeiro carro um Erskine, e depois, em 1937, o primeiro carro de capota de aço chegado a Cuiabá, um Ford Coupê, duas portas, 1937.

O Sr. José de Souza Vieira, pai do Dr. Ênio Vieira, era farmacêutico em Poconé. Lá não havia médico e toda vez que havia alguma complicação obstétrica, seu compadre Vieira chamava-o para atender o caso em domicilio. E assim ia o Dr. Epaminondas, após o consultório (18h) para Poconé, onde passava sempre mais de 24 h atendendo aos casos encontrados naquela cidade.

Escrevendo estas lembranças, ainda lembro de mamãe centrifugando urina das gestantes para papai fazer os exames e, nos casos de partos difíceis em domicilio, mamãe o acompanhava com a “lata” dos ferros (material obstétrico) e um fogareiro “primus” para ferve-los. Papai era hábil em parto com versão por manobras e com fórceps... Bons tempos; que saudade !

 

Dr. Carlos Eduardo Epaminondas

CRM-MT 112

 

Reportagem Ediléia Peroso